20/11/09| sexta-feira

Mamografia a partir dos 40!

Por Maristela Simonin. A Força Tarefa de Serviço de Prevenção dos Estados Unidos (USTSPF), órgão que fornece diretrizes aos médicos americanos, mudou de postura. E isso justo agora em que governo e planos de saúde discutem com o Congresso daquele país uma reforma na saúde. Diferente do que pregava até então, a Força Tarefa passou a afirmar que a mamografia de rastreamento é mais eficiente quando é feita a partir dos 50 anos, que só deve ser feita a cada dois anos, e não anualmente, e que os médicos devem parar de ensinar suas pacientes a fazer o autoexame. É claro que a notícia caiu como uma bomba para o público leigo, tanto lá como aqui, podendo colocar abaixo todo um trabalho de conscientização da população feminina sobre a importância da mamografia. As novas recomendações se baseiam em modelos estatísticos computadorizados, dizem seus autores. Eu as acessei online e li seus fundamentos. Assim como acessei, entre outros, os pronunciamentos da Sociedade Americana de Câncer. Pois bem, o que informa o Dr. J. L. Lichtenfeld, diretor do departamento de ciências desta última (em "Dr. Len's Cancer Blog"), é o seguinte. Ele diz que leu os estudos estatísticos da Força Tarefa e não os contesta, mas, tomando por base esses mesmos estudos, demonstra que "as mamografias têm na verdade sido bem sucedidas em reduzir mortes por câncer de mama em todos os grupos etários [a partir dos 40 anos], especialmente de mulheres entre 60 e 69 anos. Porém, uma vez que a real incidência de câncer de mama é menor em mulheres com idades entre 40 e 49 anos, os números reais /absolutos de vidas salvas é também menor." "Portanto - prossegue - você tem de mamografar mais mulheres para obter o mesmo benefício. Dito de outra forma, a Força Tarefa concorda que a mamografia reduz mortes em mulheres com idades entre 40 e 49 anos. Só que, na opinião dela, a mamografia não salva bastantes vidas." O Dr. Lichtenfeld afirma que, embora a Sociedade Americana de Câncer considere os modelos estatísticos instrumentos importantes, gostaria que alguém respondesse se, sim ou não, esses modelos são suficientemente acurados para predizer, com razoável certeza, o que aconteceria numa situação particular. Enquanto não nos apresentarem algo melhor, diz ele, a Sociedade Americana de Câncer continuará recomendando a mamografia anual a partir dos 40 anos. Isso porque cada vida poupada é importante, não havendo como saber com certeza quais são aqueles cânceres de mama que, por não serem agressivos (quando comparados com outros), podem aguardar que a mulher complete 50 anos.