ABRAMPA, Sábado, 18 de Maio de 2013


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Terça-feira dia 14/10/2008
Fonte: Folha de S.P
Índios destroem canteiro de obras de hidrelétrica no MT

Dez hidrelétricas vão ser construídas no rio Juruena; indígenas dizem que obras deverão acarretar impactos, como menor oferta de peixe



Cerca de 120 índios da etnia enawenê nawê invadiram e incendiaram na manhã de sábado o canteiro de obras da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Telegráfica, em Sapezal (MT).


Pelo menos 12 caminhões foram destruídos, além dos alojamentos e do escritório avançado da Juruena Participações Ltda. -consórcio de empresas que constrói a usina. Equipamentos de informática também foram saqueados, diz a empresa. Os índios abandonaram o local em seguida.


"Eles expulsaram os funcionários e depois colocaram fogo em tudo", disse o coordenador-técnico ambiental da empresa, Frederico Müller.


O administrador regional da Funai em Juína, Antônio Carlos de Aquino, chamou de "tragédia" a ação dos índios. "Foi algo totalmente inesperado."


A Telegráfica integra um complexo de dez usinas que será implantado ao longo de 110 km do rio Juruena, na região noroeste de Mato Grosso. A Juruena Participações responderá por outras quatro obras do conjunto (Rondon, Parecis, Sapezal e Cidezal), enquanto o restante ficará a cargo da Maggi Energia, empresa do grupo empresarial do governador Blairo Maggi (PR).


Os índios dizem que as obras vão causar impactos ambientais e reduzir a oferta de peixes. A Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), encarregada do licenciamento ambiental, diz que o impacto será pequeno. Segundo o secretário-adjunto do órgão, Salatiel Araújo, dependia apenas dos enawenê nawê a assinatura de um acordo de compensação financeira em relação aos impactos na região -R$ 6 milhões, para as cinco etnias afetadas.


Desde 2007, o Ministério Público Federal de Mato Grosso propôs duas ações civis pedindo a suspensão das obras por causa de seus impactos sócio-ambientais. Em abril, a Procuradoria obteve liminar no TRF (Tribunal Regional Federal), mas a ação foi cassada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).


A Folha tentou contato com os índios, sem sucesso. Procurados, o grupo Maggi e a Juruena Participações não ligaram de volta para a reportagem.




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