Conhecimento e informação para a defesa do meio ambiente
Jornal Eletrônico da Abrampa - Edição nº 05

AZIZ AB'SABER

É com muito pesar que se recebe a noticia do falecimento de Aziz Ab'Saber, um dos geógrafos mais importantes do mundo. Em sua incansável vida acadêmica, percorreu milhares de quilômetros em viagens de campo, conhecendo efetivamente o seu objeto de estudo, o que deu origem a mais de 300 (trezentos) trabalhos acadêmicos que servem de referência a pesquisadores de todas as nações.
A sua presença nas reuniões anuais da SBPC, sempre de forma marcante, permitia o contato das novas gerações com as ideias sempre atuais de um homem que tinha muito a contribuir para a Sociedade, mas nem sempre era ouvido pelos governantes. Na reunião de 2010, ocorrida em Natal, quando foi homenageado pela entidade que chegou a presidir entre 1993 e 1995, afirmou que uma das grandes qualidades daquele evento era reunir mais jovens do que adultos, por serem aquelas pessoas que irão desenvolver uma consciência ambiental futura.
Naquele ano, não bastou descrever, como se estivesse lendo um texto, os detalhes dos diversos ecossistemas brasileiros. Denunciou uma política governamental dissociada do pacto republicano, que exige, também dos governos, a preservação do meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Explicou, de forma clara, como o mal estar generalizado imposto à população das grandes cidades decorre da total ausência de planejamento. Tantos especialistas nas Universidades e poucos têm a oportunidade de contribuir no processo decisório de vereadores que alteram planos diretores ou de prefeitos que não se importam em traçar políticas públicas inexequíveis e encampar projetos fadados ao fracasso.
Essa triste notícia, recebida no período crucial para a defesa do meio ambiente, em que, somente por motivos políticos menores, o Congresso Nacional ainda não chancelou uma alteração legislativa drástica como o Novo Código Florestal – cujo projeto foi tão criticado e até mesmo denunciado pelo Professor – além de causar muita tristeza, parece um sinal de que o cenário futuro tende a ser cada vez mais adverso.
Mas é possível alimentar o otimismo quando se volta o olhar para a riqueza deixada pelo professor Aziz, consubstanciada na gigantesca produção cientifica e no exemplo de um homem de bem, que agia preocupado com a Sociedade e, sobretudo, com a banalização de uma postura mercadológica e irresponsável que poderá, muito mais brevemente do que se pode imaginar, inviabilizar a sadia qualidade de vida para os habitantes do Planeta.
Conhecer bem os ecossistemas brasileiros, minuciosamente explicados nos seus livros, bastaria para que os parlamentares não permitissem a aprovação de um Código Florestal que vem à tona para permitir a destruição de parte desse patrimônio natural invejado por muitos países. Não é possível que a lógica do sacrifício da natureza em proveito de poucos permaneça em voga. Se dessem ouvidos ao Professor, editariam o Código da Biodiversidade, que iria proteger o meio ambiente como bem de uso comum do povo e permitir um desenvolvimento econômico racional e duradouro.
A obra do professor Aziz é uma arma poderosa a ser utilizada na guerra pela tutela jurídica do meio ambiente, cuja batalha no Parlamento, ao que tudo indica, está perdida, mas, no Judiciário, onde o Ministério Publico – sempre elogiado pelo Professor, notório detentor de uma inabalável cultura da legalidade – atua incansavelmente, irá prosseguir até quando houver interesse de alguns poucos em desenvolver a economia de modo irresponsável.
Aqueles que têm alguma preocupação com o destino do Planeta devem conhecer e replicar a obra de Aziz Ab'Saber. Que os seus argumentos em defesa do meio ambiente sejam sempre invocados, que a sua obra seja estudada e aprimorada nas Universidade e que o exemplo de eticidade ajude a superar essa lastimável fase da história da humanidade. A tristeza pela sua partida é muito grande, mas a admiração pelo seu trabalho é muito maior. Descanse em paz, Professor.
 
Po: Moacir Nascimento Jr.
 

 

 



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